
Polícia prende médico por fraude em plantões
Manaus (AM) — Um médico foi preso preventivamente na quarta-feira (6) por suspeita de ceder seus plantões em unidades de saúde da capital amazonense a um falso profissional que se passava por médico e atendia crianças em situação de vulnerabilidade. A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Hipócrates, conduzida pela Polícia Civil do Amazonas.
O médico Israelson Taveira Batista, de 42 anos, é acusado de permitir que Gabriel Ketzer da Silva, de 28 anos, atuasse ilegalmente como pediatra, ortopedista e clínico geral em prontos-socorros e clínicas particulares de Manaus. Ketzer não possui formação em medicina e é, na verdade, estudante de Educação Física.
Falso médico já havia sido preso
Gabriel Ketzer foi preso em abril deste ano, na primeira fase da operação, após denúncias de que realizava atendimentos médicos sem qualquer habilitação. Na ocasião, ele foi flagrado com crachás falsos, receituários e documentos que simulavam vínculos com instituições de saúde. Segundo a polícia, Ketzer chegou a atender crianças em unidades públicas e privadas, colocando em risco a saúde dos pacientes.
A investigação revelou que Ketzer recebia pagamentos diretamente dos pacientes, inclusive via Pix, e utilizava o nome de Israelson para se infiltrar nos plantões. O médico, por sua vez, teria conhecimento da fraude e facilitava o acesso do falso profissional às unidades de saúde.
Instituto servia como fachada
Durante as diligências, os agentes da Polícia Civil apreenderam documentos e equipamentos no Instituto Asas pela Amazônia, fundado por Israelson. O local funcionava como fachada para o esquema, segundo os investigadores. Conversas extraídas dos celulares dos envolvidos indicam que o médico sabia que Ketzer não possuía formação médica, mas mesmo assim permitia que ele assumisse seus plantões.
“Ele sabia que o Gabriel não era médico, mas mesmo assim o deixava atender pacientes, inclusive crianças. É uma conduta extremamente grave”, afirmou o delegado responsável pela operação.
Indiciamento e sindicância
Israelson foi indiciado por falsa identidade, falsidade ideológica, estelionato contra vulnerável e falsificação de documentos médicos. Ele foi afastado de suas funções e está à disposição da Justiça.
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que instaurou uma sindicância para apurar a conduta do médico e está colaborando com as investigações. A pasta reforçou que não compactua com práticas irregulares e que medidas administrativas serão tomadas conforme o andamento do processo.
Repercussão
O caso gerou indignação entre profissionais da saúde e pais de pacientes que foram atendidos por Ketzer. “É revoltante saber que alguém sem formação estava cuidando de crianças. Isso é um risco enorme”, disse uma mãe que preferiu não se identificar.
A Polícia Civil segue investigando se outros profissionais estão envolvidos no esquema e se há mais vítimas dos atendimentos ilegais.









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