Seis criminosos do AM morrem em ação no Rio

Manaus (AM) — Subiu para seis o número de criminosos oriundos do Amazonas mortos durante a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação, considerada a mais letal da história recente do estado, mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e teve como objetivo desarticular núcleos da facção Comando Vermelho (CV), que vinha expandindo sua atuação para além das fronteiras cariocas.

Segundo informações confirmadas pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), os seis indivíduos mortos eram procurados por envolvimento em tráfico de drogas, homicídios e organização criminosa. Quatro deles já foram identificados: Francisco Myller Moreira da Cunha, conhecido como “Gringo”; Cleideson Silva Cunha, o “Lourinho” ou “Neném”; Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato”; e um quarto identificado apenas como “Dimas”. Todos tinham mandados de prisão em aberto e estavam foragidos no Rio de Janeiro.

“Esses criminosos eram lideranças locais do CV e estavam se refugiando em comunidades dominadas pela facção no Rio. A operação foi estratégica e necessária para conter essa migração criminosa”, afirmou o delegado Mario Paulo, titular do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

A operação mais letal da história

Batizada de “Operação Contenção”, a ação durou três dias e resultou em 121 mortes, segundo dados oficiais do governo fluminense. Entre os mortos estão 117 suspeitos e quatro agentes de segurança. A Defensoria Pública do Estado, no entanto, aponta que o número pode ser ainda maior, ultrapassando 130 vítimas.

Além das mortes, a operação culminou na prisão de 113 pessoas e na apreensão de 118 armas de fogo, sendo 91 fuzis, além de grande quantidade de munições, drogas e veículos utilizados por criminosos.

Moradores relataram intensos tiroteios e confrontos em áreas de mata, especialmente na região da Praça São Lucas, na Penha, onde corpos foram encontrados após os combates. A circulação de ônibus e o funcionamento de escolas foram suspensos durante os dias da operação.

Facções em expansão

A presença de criminosos do Amazonas no Rio de Janeiro acende um alerta sobre a atuação interestadual de facções como o Comando Vermelho. Segundo especialistas em segurança pública, há uma tendência de migração de lideranças criminosas para estados com maior estrutura de proteção territorial, como o Rio, onde comunidades dominadas por facções oferecem abrigo e suporte logístico.

“O que estamos vendo é uma espécie de ‘internacionalização’ do crime organizado dentro do Brasil. Facções estão se articulando em rede, trocando recursos e proteção. Isso exige uma resposta integrada entre os estados”, explica o pesquisador Rafael Costa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Repercussão e críticas

A operação gerou reações diversas. Enquanto autoridades estaduais comemoraram os resultados como um “duro golpe contra o crime organizado”, entidades de direitos humanos e representantes da sociedade civil criticaram o alto número de mortes e a falta de transparência nos procedimentos.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ solicitou abertura de investigação independente para apurar possíveis excessos e violações durante a ação. Já o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que acompanha o caso e que irá analisar os laudos periciais e os boletins de ocorrência registrados.

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