Ex-vereador de Manacapuru é preso na CPMI

O ex-vereador de Manacapuru, Jucimar Fonseca da Silva, foi preso em flagrante na madrugada desta terça-feira (2), após prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A prisão foi determinada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que apontou contradições e omissões graves no testemunho do ex-parlamentar.

Durante mais de nove horas de depoimento, Jucimar, que também atuou como coordenador-geral de pagamentos e benefícios do INSS, foi confrontado com documentos e pareceres técnicos que indicavam irregularidades na liberação de pagamentos por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs). Segundo os parlamentares, ele teria autorizado repasses milionários mesmo diante de alertas do Ministério Público Federal e da Controladoria-Geral da União.

“O senhor está preso por calar a verdade. Mentiu reiteradamente e tentou enganar esta comissão”, declarou o senador Carlos Viana, ao anunciar a prisão.

Esquema bilionário

A CPMI apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6 bilhões dos cofres da Previdência Social entre 2018 e 2024. O foco da investigação são os ACTs firmados entre o INSS e entidades privadas, que teriam sido utilizados para facilitar a concessão irregular de benefícios previdenciários.

Jucimar Fonseca é apontado como um dos principais articuladores do esquema. De acordo com os parlamentares, ele teria autorizado a liberação de lotes de pagamentos sem a devida verificação técnica, beneficiando associações suspeitas de intermediar aposentadorias fraudulentas.

A prisão de Jucimar também foi motivada por sua conduta anterior à oitiva. O ex-vereador havia faltado a convocações anteriores da CPMI, apresentando atestados médicos e se recusando a comparecer à perícia médica do Senado. A postura foi interpretada como tentativa de obstrução dos trabalhos da comissão.

Durante o depoimento, Jucimar negou envolvimento nas irregularidades e alegou desconhecimento sobre os pareceres técnicos que desaconselhavam os pagamentos. No entanto, documentos apresentados pelos parlamentares mostraram que ele assinou despachos autorizando os repasses, mesmo ciente das recomendações contrárias.

Operação Sem Desconto

Em julho deste ano, Jucimar já havia sido alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal. Na ocasião, ele foi afastado do cargo no INSS por decisão judicial, sob suspeita de participação ativa no esquema de fraudes.

A defesa do ex-vereador ainda não se manifestou oficialmente sobre a prisão. Ele foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde permanece à disposição da Justiça.

A prisão de Jucimar repercutiu fortemente em Manacapuru, onde ele exerceu dois mandatos como vereador e chegou a disputar a prefeitura em eleições anteriores. Moradores ouvidos pela reportagem demonstraram surpresa com a gravidade das acusações.

“Ele sempre teve uma imagem de liderança aqui na cidade. É triste ver alguém que representava a população envolvido em um escândalo desses”, disse Maria das Dores, comerciante do bairro Correnteza.

A CPMI do INSS deve retomar os trabalhos nesta quarta-feira (3), com novos depoimentos de servidores e representantes de entidades investigadas.

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