Caso Benício: médica usava título falso

Manaus (AM) — A Polícia Civil do Amazonas investiga a médica Juliana Brasil, que atendeu o menino Benício Xavier, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, e que morreu após receber uma dose de adrenalina na veia. Segundo o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a profissional utilizava um carimbo com o título de pediatra, embora não tenha a especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

A conduta pode configurar os crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso, além de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.

“Ela se apresentava como pediatra, assinava prescrições com esse título e atendia crianças. No entanto, não possui registro de especialidade no CRM. Isso é grave e será apurado com rigor”, afirmou o delegado.

Atendimento e morte de Benício

Benício deu entrada no hospital no dia 22 de novembro com sintomas de crise alérgica. Segundo o boletim de ocorrência, a médica prescreveu adrenalina por via intravenosa, procedimento considerado de alto risco e contraindicado para o quadro apresentado pela criança.

Pouco tempo após a aplicação, Benício sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. A família afirma que o menino era saudável e que a reação ocorreu após a medicação.

Especialistas apontam erro grave

De acordo com médicos ouvidos pela reportagem, a administração de adrenalina na veia é indicada apenas em situações extremas, como parada cardíaca, e deve ser feita com monitoramento intensivo. No caso de reações alérgicas, a via intramuscular é a recomendada.

“Aplicar adrenalina diretamente na veia de uma criança com quadro alérgico é uma conduta extremamente arriscada. Pode causar arritmias fatais”, explicou um médico emergencista que preferiu não se identificar.

Investigação e possíveis punições

A Polícia Civil já ouviu familiares, profissionais do hospital e solicitou documentos ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam). A expectativa é de que o inquérito seja concluído nas próximas semanas.

Juliana Brasil pode ser indiciada por:

• Falsidade ideológica, por utilizar carimbo com título que não possui;
• Uso de documento falso, ao assinar prescrições como pediatra;
• Homicídio com dolo eventual, por ter assumido o risco ao adotar conduta médica inadequada.

O Cremam também instaurou um processo ético-disciplinar para apurar a atuação da médica. Caso confirmadas as irregularidades, ela pode ser suspensa ou até ter o registro cassado.

O que diz o hospital

Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que está colaborando com as investigações e que a médica não faz mais parte do corpo clínico da unidade. A instituição também declarou que preza pela ética e segurança dos pacientes.

Família pede justiça

A família de Benício, abalada, cobra respostas e justiça. “Nosso filho era saudável, cheio de vida. Não podemos aceitar que ele tenha morrido por um erro tão grave. Queremos que os responsáveis sejam punidos”, disse o pai da criança, em entrevista à imprensa local.

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