Adolescentes eram exploradas em garimpos no Rio Madeira

Manaus (AM) — O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou, na manhã da terça-feira (24), a primeira fase da Operação Aurora, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida na exploração sexual de adolescentes em áreas de garimpo na calha do rio Madeira, entre os municípios de Humaitá e Manicoré, no sul do estado.

A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), com apoio do Centro de Apoio Operacional de Inteligência e Combate ao Crime Organizado (CAOCRIMO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil do Amazonas.

Durante a ação, foram cumpridos mandados de prisão temporária e medidas cautelares. Uma mulher foi presa. Segundo o MPAM, ela é suspeita de integrar o esquema criminoso que aliciava adolescentes em situação de vulnerabilidade para fins de exploração sexual.

De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava em regiões isoladas de garimpo, onde a presença do Estado é limitada e a fiscalização é dificultada. Nessas áreas, adolescentes eram aliciadas e submetidas a situações de abuso e exploração sexual, muitas vezes em troca de dinheiro, ouro ou outros favores.

As autoridades destacam que a escolha das áreas de garimpo não é aleatória.

“Esses locais oferecem um ambiente propício para a prática de crimes como esse, devido à ausência de políticas públicas, à circulação de grandes quantias em dinheiro e à vulnerabilidade social das comunidades ribeirinhas”, afirmou um dos promotores envolvidos na operação.

Proteção às vítimas

O MPAM informou que medidas de proteção às vítimas estão sendo adotadas, com o apoio de órgãos da rede de assistência social. O objetivo é garantir o acolhimento das adolescentes e preservar sua integridade física e emocional.

“Nosso foco é responsabilizar os autores desses crimes e, ao mesmo tempo, assegurar que as vítimas recebam o suporte necessário para romper esse ciclo de violência”, destacou o promotor responsável pelo caso.

A calha do rio Madeira tem sido alvo de diversas operações nos últimos anos, principalmente por conta do avanço do garimpo ilegal. Além dos danos ambientais, a atividade tem sido associada a uma série de crimes, como tráfico de drogas, trabalho análogo à escravidão e exploração sexual.

Em 2023, uma operação da Polícia Federal destruiu dezenas de dragas ilegais na mesma região. Agora, com a Operação Aurora, o foco se volta para os impactos sociais e humanos da presença do garimpo em áreas remotas do Amazonas.

Próximas fases

O MPAM não descarta novas fases da operação. As investigações continuam em andamento, e outros envolvidos podem ser identificados e responsabilizados nos próximos dias.

A população pode colaborar com as investigações por meio de denúncias anônimas aos canais oficiais do Ministério Público e da Polícia Civil.

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