Amazônia pode perder força energética até 2065

Manaus (AM) — Um estudo divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aponta que as hidrelétricas da Amazônia podem perder até 40% da capacidade de geração de energia até 2065. A projeção considera os impactos das mudanças climáticas sobre o regime de chuvas e a vazão dos rios da região.

De acordo com a ANA, a redução da capacidade de geração será mais acentuada na região Norte, especialmente em grandes usinas como Belo Monte, no Pará. No restante do país, as perdas devem variar entre 0% e 10%, com menor impacto nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O estudo alerta que o modelo atual de planejamento energético, baseado em séries históricas de vazão, pode se tornar ineficaz diante das alterações climáticas.

“As mudanças no ciclo hidrológico já estão em curso e tendem a se intensificar nas próximas décadas. Isso exige uma revisão urgente das estratégias de geração e distribuição de energia no país”, afirma o relatório.

A análise considera diferentes cenários climáticos e utiliza modelos hidrológicos para simular o comportamento dos principais rios da Amazônia nas próximas quatro décadas. A conclusão é que a redução das chuvas e o aumento da evaporação podem comprometer significativamente o desempenho das usinas hidrelétricas.

Especialistas ouvidos pela ANA destacam que a dependência da matriz elétrica brasileira em fontes hídricas torna o país vulnerável às oscilações climáticas. Eles defendem a diversificação da matriz com investimentos em energia solar, eólica e armazenamento.

A ANA deve apresentar, ainda neste semestre, um conjunto de recomendações técnicas para orientar o planejamento de novos empreendimentos e a adaptação dos já existentes. O objetivo é garantir a segurança energética do país diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

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