Incêndio em fábrica deixa grávida de 21 anos ferida

Manaus (AM) — A jovem Letícia Gomes do Nascimento, de 21 anos, grávida de dois meses, foi identificada como vítima do incêndio de grandes proporções que atingiu duas fábricas no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus. O caso ocorreu na tarde de terça-feira (5) e mobilizou mais de 200 bombeiros em uma operação que durou mais de 35 horas.

Letícia sofreu queimaduras graves e permanece internada no Hospital 28 de Agosto. Ela é funcionária da Valfilm da Amazônia, uma das empresas atingidas pelas chamas.

Contradição entre versão oficial e relato da família

Inicialmente, o Corpo de Bombeiros informou que não houve vítimas no incêndio. No entanto, familiares da jovem contestaram a informação e revelaram que Letícia foi socorrida por colegas de trabalho antes da chegada das equipes de resgate.

Segundo a tia da vítima, Neiriane Nascimento, a jovem sofreu queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus em diversas partes do corpo, incluindo braços, pernas, tórax e rosto. Ela foi levada ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio e em seguida, transferida para o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital 28 de Agosto.

Estado de saúde e acompanhamento médico

De acordo com boletim médico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), Letícia está consciente, orientada e respira sem ajuda de aparelhos. As queimaduras atingiram cerca de 44% do corpo. Exames realizados após a internação indicam que o bebê está bem e não sofreu complicações.

“Quero que meu bebê cresça saudável e, um dia, eu possa contar esse testemunho na igreja. Vai ser difícil esquecer, mas sou grata por estar viva”, disse Letícia, em declaração divulgada pela equipe médica.

Como o incêndio começou

O incêndio teve início por volta das 12h de terça-feira (5), na fábrica da Effa Motors, após faíscas de solda atingirem produtos químicos inflamáveis. As chamas se espalharam rapidamente e atingiram também a Valfilm da Amazônia, empresa vizinha especializada em reciclagem de plásticos.

Letícia havia acabado de retornar do almoço e estava descansando no galpão quando foi surpreendida pelas explosões. Ela tentou fugir, mas foi atingida pelas chamas antes de conseguir sair do prédio.

O caso gerou comoção nas redes sociais e levantou questionamentos sobre os protocolos de segurança adotados pelas empresas do Polo Industrial de Manaus. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e o Ministério Público do Trabalho acompanham o caso.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do incêndio e eventuais responsabilidades. A fábrica da Effa Motors foi completamente destruída, e mais de cem veículos foram perdidos.

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