Incêndio histórico em Manaus é controlado após 35h

Manaus — O maior incêndio industrial já registrado na capital amazonense foi finalmente controlado na manhã desta quinta-feira (7), após mais de 35 horas de combate ininterrupto. As chamas atingiram duas fábricas no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus, destruindo completamente os galpões.

Fogo começou em fábrica de veículos e se espalhou rapidamente

O incêndio teve início por volta das 12h de terça-feira (5), na sede da Effa Motors, fabricante de veículos utilitários. Segundo relatos de funcionários e informações preliminares do Corpo de Bombeiros, uma faísca gerada durante um serviço de soldagem teria atingido produtos químicos inflamáveis, dando início às chamas. Em poucos minutos, o fogo se espalhou para a fábrica vizinha, Valfilm da Amazônia, especializada em reciclagem de plásticos.

Ambas as empresas armazenavam materiais altamente combustíveis, como pneus, solventes e plásticos industriais, o que contribuiu para a rápida propagação do incêndio.

Mais de 200 bombeiros foram mobilizados, com o apoio de 30 viaturas, drones e caminhões equipados com espuma sintética. O combate ao fogo durou mais de um dia e meio, exigindo revezamento de equipes e reforço de unidades de outros municípios.

“Foi uma operação extremamente complexa, com risco elevado de explosões e contaminação. Nunca enfrentamos algo dessa magnitude em Manaus”, afirmou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Muniz.

Fábricas destruídas e prejuízo milionário

A fábrica da Effa Motors foi completamente destruída. Segundo a direção da empresa, cerca de cem veículos prontos para entrega foram perdidos, além de equipamentos e insumos. A Valfilm também sofreu perdas totais em sua estrutura.

Apesar da gravidade, não houve mortes. Uma funcionária grávida foi socorrida com ferimentos leves e permanece em observação. Mais de 120 trabalhadores conseguiram evacuar os prédios a tempo.

Nuvem tóxica e alerta ambiental

A fumaça densa e escura pôde ser vista em vários pontos da cidade, inclusive em bairros distantes como Cidade Nova e Adrianópolis. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) classificou o episódio como desastre ambiental, devido à liberação de gases tóxicos e resíduos industriais.

A chuva que caiu sobre Manaus na noite de quarta-feira ajudou a dissipar parte da fumaça, mas técnicos ainda avaliam os impactos na qualidade do ar e no solo da região.

Repercussão e medidas emergenciais

O governador do Amazonas, Wilson Lima, esteve no local e anunciou apoio às famílias dos trabalhadores afetados, além da criação de um comitê de crise para avaliar os danos e propor medidas de recuperação.

“Estamos diante de uma tragédia industrial sem precedentes. Vamos garantir que os responsáveis sejam identificados e que as vítimas recebam o suporte necessário”, declarou o governador.

A Suframa, responsável pela gestão do Polo Industrial de Manaus, lamentou a destruição da única fábrica de veículos utilitários da região e afirmou que o episódio representa um duro golpe na cadeia produtiva local.

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