
Manaus (AM) — A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação ocorre simultaneamente em oito estados e no Distrito Federal, com o cumprimento de 66 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, o grupo criminoso é suspeito de realizar descontos indevidos em aposentadorias e pensões por meio de associações e sindicatos, sem autorização dos beneficiários. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.
Estados Alvo da Operação
As buscas foram realizadas nos seguintes estados:
• São Paulo (45 mandados)
• Sergipe (12)
• Santa Catarina (2)
• Pernambuco (2)
• Bahia (2)
• Amazonas (1)
• Rio Grande do Norte (1)
• Distrito Federal (1)
Em Manaus, agentes cumpriram mandado em um endereço ligado a uma associação suspeita de intermediar os descontos fraudulentos.
Esquema sofisticado
De acordo com as investigações, o esquema envolvia inserção de dados falsos em sistemas públicos, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e corrupção de servidores. Os investigados usavam contratos genéricos e cadastros manipulados para aplicar os descontos diretamente nos contracheques dos segurados.
Entre os principais alvos estão:
• Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema
• Maurício Camisotti, empresário ligado a entidades de fachada
• Nelson Willians, advogado suspeito de intermediar acordos ilegais com servidores públicos
Repercussões políticas e institucionais
A operação provocou reação imediata no Congresso Nacional, que articula a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) para apurar a atuação de entidades associativas e a responsabilidade de gestores públicos.
A Controladoria-Geral da União (CGU), que atua em parceria com a PF, identificou centenas de milhares de beneficiários afetados por descontos não autorizados. Em muitos casos, os segurados sequer sabiam que estavam vinculados às associações.
Histórico da operação
A primeira fase da Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025, com o afastamento de servidores do INSS e bloqueio de bens dos investigados. Desde então, a PF vem aprofundando as apurações com base em denúncias de beneficiários e relatórios da CGU.
Em nota, o INSS afirmou que “colabora integralmente com as investigações e reforça seu compromisso com a transparência e a proteção dos direitos dos segurados”. A PF destacou que os envolvidos poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistema público.









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