
Manaus (AM) – O cenário educacional das comunidades ribeirinhas de Manaus está prestes a mudar definitivamente. Neste domingo (22), o prefeito David Almeida deu o sinal verde para uma operação logística robusta no Píer Turístico Manaus 355: o envio de 380 toneladas de materiais de construção que servirão para substituir as últimas escolas de madeira da rede municipal por prédios modernos de alvenaria.
A meta é ambiciosa, mas está dentro do cronograma da Secretaria Municipal de Educação (Semed): zerar o número de estruturas de madeira até novembro deste ano.
Logística sobre as águas
O comboio fluvial, carregado com seixo, areia, aço e ferro corrugado, enfrentará uma viagem de até três dias para alcançar áreas de difícil acesso, como Paraná da Eva, Caramuri e Baixo Rio Preto da Eva. A escolha pelo transporte fluvial estratégico visa driblar os custos elevados e a ineficiência do modelo rodoviário, que muitas vezes é interrompido pela sazonalidade dos rios amazônicos.
“Estamos vivendo uma virada histórica. Saímos de um cenário com 35 escolas de madeira em 2021 para a reta final, restando apenas nove. Manaus será uma das primeiras capitais da Amazônia a eliminar esse tipo de estrutura, garantindo internet via satélite e climatização para quem mais precisa”, destacou o prefeito David Almeida.
Do abandono à tecnologia
O plano de reestruturação não se limita às paredes das escolas. A gestão municipal focou na “espinha dorsal” do ensino rural:
• Conectividade e Conforto: Todas as novas unidades contarão com salas climatizadas e sinal de internet de alta velocidade.
• Mobilidade Fluvial: A frota de lanchas escolares, que em 2021 tinha mais de 60% dos veículos parados, foi totalmente recuperada, 52 embarcações operam com monitores e atendem também ao deslocamento dos professores.
Impacto Social: O aumento da busca por vagas
A melhoria na infraestrutura gerou um efeito imediato na permanência dos alunos no campo. Dados da Semed apontam que o número de estudantes na zona rural saltou de 8,5 mil (em 2021) para mais de 12 mil atualmente. O investimento reduziu o fluxo de famílias que se mudavam para a área urbana em busca de educação de melhor qualidade.
Para o secretário de Educação, Júnior Mar, a obra é o alicerce para melhores índices de alfabetização.
“Não há como falar em avanço na aprendizagem sem um ambiente adequado. Estamos entregando equidade: o aluno da comunidade mais remota agora tem as mesmas condições tecnológicas de quem estuda no Centro”, afirmou.
Com as três unidades que começam a ser reconstruídas agora e as seis restantes previstas para o segundo semestre, Manaus caminha para consolidar um legado de infraestrutura que deve servir de modelo para outras capitais da região Norte.









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