
Manaus (AM) – O Ministério Público Federal (MPF) alertou para o risco de contaminação por mercúrio em comunidades indígenas e ribeirinhas do Rio Tonantins, no interior do Amazonas. Mais de três mil pessoas podem estar expostas à água comprometida pelo garimpo ilegal.
Um relatório elaborado após missão institucional no fim de 2025 revelou que dragas e balsas usadas na extração clandestina de minérios alteraram a coloração do rio, indicando poluição. O mercúrio, substância utilizada para separar o ouro, é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das dez mais perigosas para o ser humano. A presença desse metal pesado pode causar sérios danos neurológicos e comprometer a saúde de populações que dependem diretamente da água do rio.
Segundo o MPF, mais de três mil moradores de comunidades indígenas e ribeirinhas estão em risco de consumir água contaminada. A atividade ilegal não apenas ameaça a saúde, mas também provoca destruição ambiental e coloca em perigo modos de vida tradicionais.
O MPF encaminhou recomendações a seis órgãos federais e estaduais, incluindo Ibama, ICMBio, Ipaam, Polícia Federal, Polícia Militar do Amazonas e Marinha do Brasil. Entre as medidas propostas estão:
• Destruição de dragas, balsas e equipamentos usados na extração ilegal.
• Prisão em flagrante dos responsáveis.
• Proibição de que infratores sejam nomeados como depositários dos bens apreendidos.
Os órgãos têm 30 dias para responder se vão cumprir as orientações. Caso contrário, o MPF poderá adotar medidas administrativas e judiciais.
O garimpo ilegal é caracterizado pela extração de minérios sem autorização do Estado, muitas vezes em áreas proibidas como terras indígenas e unidades de conservação. Além da contaminação por mercúrio, essa prática gera prejuízos bilionários e frequentemente envolve trabalho análogo à escravidão.









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