Operador de guindaste estava afastado pelo INSS

Manaus (AM) – O operador de guindaste que pulou da cabine segundos antes do desabamento da árvore de Natal no Largo de São Sebastião, em Manaus, estava afastado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e recebia auxílio-doença no momento do acidente. A informação foi confirmada pelo delegado Rafael Guevara, responsável pela investigação do caso, que agora é tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O acidente ocorreu no domingo (23), durante a montagem de uma árvore de Natal de aproximadamente 30 metros de altura. A estrutura metálica tombou enquanto era içada por um guindaste, atingindo dois operários. Um deles, Antônio Paulo Rodrigues de Souza, de 40 anos, morreu após sofrer traumatismo craniano. O outro, Henes Libório Ramos, de 47 anos, teve fratura na perna e passou por cirurgia.

Operador será apresentado à Justiça

Segundo o delegado, o operador, que estava vestido com roupas de Papai Noel no momento do acidente, foi preso em flagrante e será apresentado em audiência de custódia.

“Ele não poderia estar exercendo nenhuma atividade laboral, muito menos operando um equipamento de grande porte. Isso agrava a responsabilidade penal dele”, afirmou Guevara.

A Polícia Civil também investiga se houve omissão por parte da empresa contratante ao permitir que um trabalhador afastado legalmente assumisse a operação do guindaste.

CREA-AM aponta falhas técnicas

Em vistoria realizada no local, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM) identificou uma série de irregularidades na operação. Entre elas, a ausência de documentos técnicos obrigatórios, como o Plano de Rigging (plano de içamento) e a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) assinada por engenheiro habilitado.

Além disso, a empresa responsável pela montagem da estrutura natalina não possui registro ativo no conselho profissional, o que configura exercício ilegal da atividade técnica.

“Foi uma operação sem respaldo técnico, sem planejamento e sem segurança. Isso não pode ser tratado como um acidente comum”, declarou o engenheiro Frederico Cesarino, conselheiro do CREA-AM.

Falta de EPIs e improviso

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram que os operários não utilizavam equipamentos de proteção individual (EPIs) no momento do acidente. Um dos vídeos registra o momento exato em que o guindaste perde estabilidade e a árvore desaba, enquanto o operador salta da cabine para se salvar.

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC), responsável pela programação natalina, afirmou em nota que está colaborando com as investigações e prestando apoio às famílias das vítimas. A montagem das demais estruturas foi suspensa até que novas inspeções sejam realizadas.

Publicar comentário