
Remédio para emagrecer e iPhones são retidos no AM
Manaus (AM) — Uma operação da Receita Federal no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, resultou na apreensão de aproximadamente 2 mil iPhones, além de outros eletrônicos de alto valor e um carregamento do medicamento experimental retatrutida, utilizado de forma irregular para emagrecimento. A ação ocorreu no terminal de cargas da capital amazonense, no último sábado (30), e chamou atenção pelo volume e pela natureza dos produtos apreendidos.
Segundo informações da Receita, a carga não estava sendo importada diretamente do exterior, como é comum em casos de contrabando, mas sim sendo movimentada de forma irregular da Zona Franca de Manaus (ZFM) para outras regiões do país. A operação identificou que os responsáveis não cumpriram as exigências legais e fiscais necessárias para esse tipo de transporte, o que caracteriza infração à legislação aduaneira.
Produtos de alto valor e medicamento sem registro
Entre os itens apreendidos estavam iPhones de última geração, iPads, Apple Watches, mouses Magic e outros acessórios da marca Apple. A estimativa é de que o valor total da carga ultrapasse os R$ 10 milhões.
O que mais chamou a atenção das autoridades, no entanto, foi a presença de ampolas do medicamento retatrutida, um composto experimental desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly. O remédio, que atua como agonista triplo de receptores hormonais, está sendo testado para o tratamento da obesidade, mas ainda não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem autorização para comercialização em nenhum país.
De acordo com a Receita, o uso do retatrutida para fins estéticos ou de emagrecimento é considerado ilegal e pode representar sérios riscos à saúde. A apreensão do medicamento foi classificada como uma medida de proteção à saúde pública.
Esquema sofisticado
A operação foi conduzida pela Equipe K9 da Receita Federal, especializada em fiscalização com o uso de cães farejadores. A suspeita é de que o esquema envolvia o uso da estrutura da Zona Franca para internalizar os produtos no país com isenção fiscal e, posteriormente, enviá-los para outras regiões sem o devido recolhimento de tributos.
“Essa prática configura fraude tributária e prejudica não apenas os cofres públicos, mas também a concorrência leal no mercado”, afirmou o auditor-fiscal responsável pela operação, que preferiu não se identificar.
A Receita Federal informou que os responsáveis pela carga já foram identificados e responderão por crime de descaminho e infrações sanitárias. O caso foi encaminhado à Polícia Federal, que dará continuidade às investigações para apurar a origem dos produtos e a possível participação de outras pessoas ou empresas no esquema.









Publicar comentário