Vereador expulsa repórter de sessão em Itacoatiara

Itacoatiara (AM) — Um episódio envolvendo o vereador Hygor Magalhães (DC) gerou indignação entre profissionais da imprensa e representantes da sociedade civil no município de Itacoatiara, interior do Amazonas. Durante sessão plenária realizada na noite de terça-feira (14), o parlamentar expulsou o jornalista Melk Santos, do Portal Online Multimídia, sob ameaça de algemá-lo caso não deixasse o local.

A sessão discutia o arquivamento do pedido de cassação do vereador Ney Nobre (MDB), condenado a mais de 10 anos de prisão por crimes relacionados à administração pública. Magalhães, ao se posicionar contra a cassação, fez críticas à cobertura jornalística do caso e afirmou que “não se deve acreditar em tudo que se vê em portais e lives”.

O jornalista, que acompanhava a sessão como parte de sua cobertura regular, tentou rebater as declarações, mas foi interrompido pelo vereador. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ouvir Magalhães ordenando a saída do repórter e ameaçando: “Se não sair, vou mandar algemar”.

Repercussão e nota da imprensa

Após o ocorrido, Melk Santos publicou uma nota em suas redes sociais classificando o ato como um “ataque direto à liberdade de imprensa” e afirmou que irá acionar juridicamente o vereador por abuso de autoridade.

“Fui humilhado em público por exercer meu trabalho. Isso não é apenas sobre mim, é sobre o direito de informar e ser informado”, declarou.

Entidades como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (Sinjor-AM) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiaram o episódio e cobraram providências da Câmara Municipal.

“A liberdade de imprensa é um pilar da democracia. A tentativa de silenciar jornalistas em espaços públicos é inaceitável”, afirmou o presidente do Sinjor-AM, Paulo Castro.

Câmara se manifesta

Em nota oficial divulgada na manhã desta quarta-feira (15), a presidência da Câmara Municipal de Itacoatiara informou que irá apurar o comportamento do vereador Hygor Magalhães e que “repudia qualquer forma de intimidação contra profissionais da imprensa”. A nota também reforça que as sessões são públicas e que o acesso de jornalistas é garantido por lei.

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