
Manaus (AM) – O julgamento do “Caso Débora” foi encerrado por volta das 2h da madrugada desta segunda-feira (1º), no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, na Zona Sul de Manaus, após quase seis dias de júri popular. Os réus Gil Romero Machado Batista e José Nílson Azevedo da Silva foram condenados pela morte de Débora da Silva Alves, de 18 anos, que estava grávida de oito meses. Gil Romero recebeu uma pena de 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão, enquanto José Nílson foi condenado a 17 anos e 8 meses. Ambos deverão cumprir as penas imediatamente em regime fechado.
O crime ocorreu em julho de 2023 e chocou o Amazonas pela extrema crueldade. Conforme as investigações da Polícia Civil, Débora foi atraída pelo pai do bebê, Gil Romero, sob o pretexto de que iria receber um berço para a criança. Ao chegar ao local combinado, nas proximidades da Usina Termelétrica Mauá, na Zona Leste de Manaus, a jovem foi assassinada. Segundo a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), a vítima foi morta por asfixia, teve o bebê retirado do ventre e o corpo colocado dentro de um tonel. Como o cadáver não cabia no recipiente, os pés da jovem foram mutilados antes de os acusados atearem fogo no corpo para tentar ocultar o crime.
No banco dos réus, Gil Romero foi condenado por homicídio qualificado com as qualificadoras de feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já o comparsa, José Nílson, foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, após o conselho de sentença afastar duas outras qualificadoras em relação à sua conduta. Os jurados acataram a tese da acusação após uma intensa maratona de depoimentos de testemunhas, peritos e interrogatórios dos réus.
O caso de grande repercussão mobilizou familiares e amigos de Débora, que realizaram vigílias e acompanharam toda a sessão em frente ao fórum segurando cartazes e pedindo por justiça. O corpo do bebê foi encontrado cerca de um mês após o assassinato da mãe, enterrado em uma área de mata. A sentença lida pelo juiz presidente do tribunal do júri põe fim a um dos episódios de violência mais brutais da história recente da segurança pública do estado.









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