
Manaus (AM) — A Arena da Amazônia enfrenta um bloqueio temporário e está sem poder receber partidas de futebol devido às más condições do seu gramado. A gravidade da situação expõe os crônicos desafios de manutenção do principal cartão-postal esportivo do Amazonas, que custou quase R$ 600 milhões aos cofres públicos.
O desgaste do campo forçou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a transferir o confronto entre Nacional-AM e Monte Roraima, válido pela Série D do Campeonato Brasileiro, para o Estádio Carlos Zamith. O jogo estava agendado para o fim de semana, coincidindo com o período em que o estádio celebra o marco do histórico duelo entre Inglaterra e Itália no Mundial de Manaus. A final da Copa Norte, entre Nacional-AM e Paysandu, também precisou mudar de endereço pelo mesmo motivo.
Imagens do interior do estádio revelam um cenário preocupante: o tapete verde apresenta extensas áreas amareladas, falhas severas na cobertura vegetal e pontos de terra batida. A Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel), responsável pela administração da praça esportiva, justificou que o tom amarelado faz parte de um processo de transição biológica do piso e garantiu que equipes técnicas realizam o replantio de cerca de 100 metros quadrados de grama na área do gol norte, além de aplicar fertilizantes para acelerar a recomposição.
Outro fator que prejudicou a qualidade do campo foi uma infestação de lagartas, praga comum na região amazônica durante a transição entre o período chuvoso (inverno amazônico) e o início da seca. De acordo com o cronograma do Governo do Estado, os tratamentos químicos e o manejo do solo devem durar mais duas semanas, com a previsão de que o complexo seja liberado para o futebol em cerca de 15 dias. Enquanto isso, o debate sobre o uso excessivo da arena para shows musicais e eventos não esportivos volta a ganhar força entre desportistas locais.









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