
Manaus (AM) – A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras repercutiu amplamente na imprensa internacional. O anúncio oficial foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que confirmou que as duas alas serão formalmente designadas sob o novo status a partir do dia 5 de junho.
De acordo com os principais veículos de comunicação do exterior, a medida de Washington foi adotada após meses de articulação e pressão política por parte de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O anúncio ocorreu poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca e com o próprio secretário Marco Rubio, reforçando o pedido para que as facções fossem incluídas na lista de terrorismo internacional.
A repercussão internacional destacou o impacto político da decisão nas relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos. Veículos como o jornal americano The New York Times apontaram que a medida pode criar um ambiente de tensão entre as duas maiores nações do Hemisfério Ocidental e levantaram preocupações de autoridades brasileiras sobre uma possível tentativa de interferência americana nas próximas eleições presidenciais do Brasil, uma vez que Flávio Bolsonaro planeja concorrer ao pleito em outubro.
No aspecto econômico, analistas financeiros ouvidos pela imprensa internacional advertem que a classificação como grupo terrorista concede aos EUA poderes extras para a aplicação de sanções. Isso pode gerar complicações severas para o sistema bancário brasileiro, pois instituições financeiras locais correm o risco de sofrer punições indiretas caso tenham movimentado, mesmo de forma indireta, recursos ligados às facções, que possuem forte infiltração em setores da economia formal, como o mercado imobiliário e postos de combustíveis.
O governo brasileiro vinha resistindo à medida, sob o argumento de que os grupos criminosos do país não possuem motivações ideológicas ou políticas, características que definem o terrorismo tradicional. Jornais como o britânico Financial Times e a rede do Catar Al Jazeera avaliaram que a canetada do governo norte-americano representa um revés político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pode paralisar a recente tentativa de reaproximação diplomática costurada entre Brasília e Washington nas últimas semanas.









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