Policial Federal é condenado por esquema em aeroporto

Manaus (AM) — A Justiça Federal condenou o policial federal Gabriel Moraes Ferreira dos Santos a 26 anos e 7 meses de prisão em regime inicial fechado por facilitação ao tráfico ilícito de drogas e vazamento de informações sigilosas. O agente público atuava no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, auxiliando uma organização criminosa que remetia entorpecentes do Amazonas para outros estados do país. A sentença também determinou a perda definitiva do seu cargo público na Polícia Federal.

A decisão foi tomada no âmbito da ação penal resultante da Operação Gatekeeper, deflagrada pela própria Polícia Federal em março de 2025. De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF), Gabriel se valia da credencial e do livre acesso às áreas restritas do terminal aeroportuário de Manaus para introduzir bagagens carregadas com drogas diretamente no setor de embarque doméstico, burlando a fiscalização de rotina.

Além da logística física no aeroporto, a investigação comprovou que o servidor realizou acessos não autorizados aos sistemas internos de inteligência da corporação. Ele consultava dados confidenciais sobre investigações em andamento e repassava as informações estratégicas aos líderes do grupo criminoso para evitar interceptações policiais. Gabriel foi responsabilizado pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e uso indevido de acesso restrito, além do pagamento de 2.456 dias-multa.

O processo judicial, que tramita na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas (SJAM), também resultou na condenação de outros três integrantes do esquema. Joel Santos Ramos, apontado como o coordenador da logística do grupo, recebeu pena de 16 anos, 9 meses e 7 dias de reclusão. Já os “mulas” ou transportadores Attilio Barbosa de Castro Neto e Pedro Felipe Melo de Souza, que entravam no aeroporto com mochilas vazias e recebiam as bagagens com drogas na área restrita — foram condenados a 4 anos e 9 meses de prisão cada.

Publicar comentário