Operação transfere 71 policiais militares em Manaus

Manaus (AM) — A transferência de 71 policiais militares para uma nova unidade prisional em Manaus, realizada na manhã desta terça-feira (12), foi marcada por resistência, protestos de familiares e momentos de tensão entre as forças de segurança. A ação, denominada Operação Sentinela Maior, resultou na desativação do antigo Núcleo Prisional da PMAM, no bairro Monte das Oliveiras, e no remanejamento dos custodiados para um prédio reformado no quilômetro 8 da rodovia BR-174.

A operação foi coordenada pela 60ª Promotoria Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap), do Ministério Público do Amazonas (MPAM), em conjunto com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). O objetivo da mudança é garantir maior controle administrativo e reforçar a segurança, após graves falhas estruturais e operacionais identificadas na unidade antiga.

Durante o início da manhã, os policiais custodiados chegaram a se recusar a deixar as celas no Monte das Oliveiras. Segundo a defesa dos militares, o grupo alegou falta de documentação oficial que autorizasse a transferência e expressou preocupação com as condições de segurança da nova unidade. O advogado Henrique Vasconcelos, que representa parte dos presos, questionou a legalidade da medida, afirmando que apenas praças estavam sendo transferidos, enquanto oficiais não estariam incluídos na operação.

A nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM-AM) passa a funcionar onde antes operava o Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec). Entre os detentos transferidos para o novo local estão nomes envolvidos em casos de grande repercussão, como Hudson Marcelo Vilela de Campos e o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier, investigados pela morte de um jovem no bairro Alvorada, e Cássio Rodrigo Dias Pinto, suspeito de atropelar cães comunitários com uma viatura.

A transferência é um desdobramento direto da Operação Sentinela, deflagrada em março deste ano para investigar um esquema de facilitação de fuga de 23 detentos do antigo núcleo prisional. Na época, 17 presos chegaram a ficar foragidos após uma saída irregular no final de fevereiro. A Seap informou que a mudança decorre de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado para reorganizar o sistema de custódia militar e evitar novas falhas de vigilância.

Em nota, a Polícia Militar do Amazonas afirmou que o planejamento para a interdição da unidade do Monte das Oliveiras ocorria desde 2025. A corporação assegurou que o novo prédio na BR-174 oferece melhores condições para atender às demandas do sistema prisional e que a integridade física dos policiais será preservada em alas apropriadas.

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